Recentemente venho pensando que devo ter perdido o meu Eu em algum lugar da linha do tempo nestes últimos meses. Talvez isto tenha relação com algo que me disseram nos últimos dias que eu não sabia dizer Não. O ditado que fala sobre não corrermos atrás das borboletas me soa tão idiota quanto verdadeiro. Usando uma reflexão sugerida por uma futura psicóloga amiga minha, tento elencar cinco razões que justifiquem minhas ações que, parando hoje pra pensar, estão sendo em vão. Não consigo passar de uma. Percebi que qualquer pessoa neste mundo pode de uma hora lhe virar as costas, lhe negar um sorriso e até mesmo o diálogo, mesmo que outrora fosses digno de confiança. Você pode trabalhar duro, se esforçar muito por alguém, sacrificar seu tempo e tentar ser o mais aberto possível, mesmo assim nada disso servirá de parâmetros quando você for vítima do ócio alheio, da fofoca, do recalque e do amor exacerbado. Nestes termos, as pessoas são exatamente como aquelas interpretadas no filme “Dog Ville” que, como diria minha ex-professora Márcia Tiburi, “eles, mesmo assim, cravarão os dentes”. Você pode primar em seguir o bom caminho, o que é certo, evitar o errado e o infame, mas as vezes parece que prevalecerá as cogitações, meia-histórias, fuxicos, achismos... o caráter não convém se deste nada se precisa. A maturidade e a responsabilidade realmente só surgem do esforço, do ralar, do suar no sol, da advertência dura dos mais velhos. O respeito só advém da firmeza, da personalidade forte, do saber dizer não ao que é errado, de não ter medo em seguir o certo. A humildade, o reconhecimento, a gratidão e o amor só desabrocham verdadeiramente quando nos falta algo ou quando perdemos aquilo que era certo, seguro e não nos importávamos. Ajudar demais os outros é tão errado quanto achar que não precisamos ajudar. Acontece que por vezes as mentes se abrem mais para a realidade da vida quando os indivíduos passam necessidade ou perdem algo que não amavam ou respeitavam quando podiam. Conversar e aconselhar nos dias de hoje quase não tem valor algum. Palavras por palavras serão apenas palavras ditas ao vento, só se constrói algo, qualquer coisa, mediante a atitude.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
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