sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um texto perdido...

Fatigado por uma longa viagem, sem qualquer força para levá-lo além de suas próprias pernas e a Fé que sua mãe havia lhe ensinado, ele havia chegado a um lugar novo mas que já era conhecido de seus antepassados. Com sede por ofício, mergulhou no trabalho deslumbrado pelo carinho das pessoas, pois a novidade sempre chamava atenção. Felizmente, perdurou tal efeito até os dias de hoje, mas além da liberdade dada pela força de suas mãos, ele queria mais uma coisa que ainda não havia encontrado e que sempre teve vergonha de dizer aos outros que era a coisa que ele mais queria na vida. Afinal, todos sonham com posses ou sucesso, estabilidade para garantir o orgulho perante a família ou bens para esbanjar aos olhos dos outros. Desta forma, aquilo que ele queria poderia soar simplório demais e as pessoas lhe julgarem mal. Continou seu rumo e seu trabalho, mas sempre com um vazio por dentro, um torpor que havia dias parecer cortar-lhe o peito. Para passar o tempo, escrevia, mas escrever e não ser lido também lhe deixava mais angustiado. Passados dois anos, ele encontrou/descobriu que alguém o olhava e lhe parecia tão mágico que ele achou por um momento que contos de romances poderiam se aplicar na realidade, a mesma dura e crua que ele aprendera nos tempos de escola superior. Ignorou tabus, regras e perigos, e se deixou apaixonar quase que perdidamente e tal euforia lhe rendia grande inspiração para escrever e fazer surpresas românticas, aquelas bregas que no fundo toda moça quer. Porém, ele se deu conta mais tarde que deu amor demais e havia certa reflexão perdida em sua memória - ensinada por sua mãe que mais parecia alguém sem coração (e por certo é quem mais tinha um...) - que dizia quem muito se agacha mostra a bunda. Em outras palavras, passa vergonha. Assim como a Paz é a coisa mais importante e primeira para vida, a vergonha é a primeira e pior de todas pois diferente do ódio, ela caminha junto com a memória e o papel da memória é nunca esquecer. Amargamente, ele lacrimejou pois o que ele mais detestava na vida era chegar a um ponto em suas vivências e ver que sua mãe tinha razão quando era ácida nos juízos frios que emetia para ensinar o filho. As lágrimas conotavam uma incompreenssão absurda de que como aquele belo romance tornando-se real poderia, como a brevidade de uma lua cheia, tornar-se um drama? Como ele não conseguia entender e seu coração batia em um compasso dolorido, para passar aquele tempo que parecia infinito, decidiu escrever, sabendo de antemão que seria lido, mas era a única coisa que ele tinha certeza. O que ele mais queria na vida parecia novamente se afastar.

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