sábado, 26 de dezembro de 2009

Humildade

Eu ia reclamar do John, mas senti que não valia o esforço. Então pensei em falar sobre os vícios e mitos do que vem a ser diversão e “curtir a vida” no conceito popular, expresso por uns e outros e que nada ou muito pouco constroem na vida sentimental. Achei o assunto tedioso. Cogitei falar sobre como as pessoas estão banalizando os sentimentos e o amor, vivendo falsas felicidades e perspectivas de vida. Descartei logo de cara.

Então, um versinho:


Hoje, o sabor parecia de adeus,

a movimentação dos braços transparecia isso

com um dom treinado por anos

olhei teus olhos e percebi algo escondido

subtendido e disfarçado de “não é nada”

esta manhã estava mais maduro

e no fim da tarde tornei-me mais humilde

pego em tuas mãos e digo comigo

“acalme-se, no fundo estamos bem...”

e temos sempre o vício de achar que não,

o medo de não se explicar e se expor...

de ser sincero ao ponto do ridículo...

coisas que embaçam o relacionar-se

oprimem o verdadeiro sentimento

e cegam um maior a desabrachar

Talvez seria melhor que Fim

pois o fim é finito e o talvez amplo

cheio de oportunidades e brechas

para palavras serem ditas

frases serem escritas em prosa

músicas cantadas ou ouvidas

embalando o ritmo do coração

que, renovado por uma simples atitude

despida de orgulho e medo,

o faz bater mais forte e firme

que agora anseia pelas emoções

vindouras do livre-arbítrio

daqueles que se gostam no íntimo.


Denis Jacintho

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