Eu ia reclamar do John, mas senti que não valia o esforço. Então pensei em falar sobre os vícios e mitos do que vem a ser diversão e “curtir a vida” no conceito popular, expresso por uns e outros e que nada ou muito pouco constroem na vida sentimental. Achei o assunto tedioso. Cogitei falar sobre como as pessoas estão banalizando os sentimentos e o amor, vivendo falsas felicidades e perspectivas de vida. Descartei logo de cara.
Então, um versinho:
Hoje, o sabor parecia de adeus,
a movimentação dos braços transparecia isso
com um dom treinado por anos
olhei teus olhos e percebi algo escondido
subtendido e disfarçado de “não é nada”
esta manhã estava mais maduro
e no fim da tarde tornei-me mais humilde
pego em tuas mãos e digo comigo
“acalme-se, no fundo estamos bem...”
e temos sempre o vício de achar que não,
o medo de não se explicar e se expor...
de ser sincero ao ponto do ridículo...
coisas que embaçam o relacionar-se
oprimem o verdadeiro sentimento
e cegam um maior a desabrachar
Talvez seria melhor que Fim
pois o fim é finito e o talvez amplo
cheio de oportunidades e brechas
para palavras serem ditas
frases serem escritas em prosa
músicas cantadas ou ouvidas
embalando o ritmo do coração
que, renovado por uma simples atitude
despida de orgulho e medo,
o faz bater mais forte e firme
que agora anseia pelas emoções
vindouras do livre-arbítrio
daqueles que se gostam no íntimo.
Denis Jacintho

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